24 de Fevereiro de 2018
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Francisco Xavier

Rondônia: A educação, a MENP e o governador da cooperação

O estado de Rondônia realmente possui uma estrutura de causar admiração, especialmente em setores como a Educação. Não foram poucas as tentativas do governo de Confúcio Moura de acabar com o sistema educacional rondoniense, missão na qual ele sempre contou com a omissão a passividade da cúpula do sindicalismo educacional. E depois de tudo que os profissionais da educação passaram, o namoro entre Confúcio e alguns dirigentes parece estar muito sólido…

Entre os grandes problemas enfrentados pelos profissionais, está a existência de diversos assessores do governo que estão, há anos, no setor Pedagógico da Seduc e completamente desconectados da realidade da escolas. Por causa dessas pessoas, e com a devida omissão do Sintero, diversas situações já aconteceram em prejuízo da qualidade do ensino, ou dos professores e técnicos lotados nas escolas. Entre esses problemas, podemos citar as “invenções pedagógicas” copiadas de outros estados e empurradas goela abaixo nos alunos de Rondônia, sem nenhuma discussão com as pessoas envolvidas no processo. Para citar exemplos, podemos lembrar da “Mediação Tecnológica”, chamada carinhosamente por muitos professores de “merdeação tecnológica”, por razões óbvias. Esse “modelo inovador”, como eles costumam chamar essas baboseiras, não deu resultado nenhum e nem poderia, porque foi imposto sem nenhuma discussão e completamente fora da realidade de alguns municípios.
E não foi somente isso! Outra grande cagada, para ser bem claro, foi a tal da “Militarização das Escolas”, defendida apenas pelos deputados mais despreparados que Rondônia tem e que não entendem absolutamente nada sobre Sistema Educacional.

O “Modelo” foi um fracasso, como não poderia ser diferente. Neste caso da tal militarização, um dos dirigentes do Sintero, com assento no Conselho Estadual de Educação, estava entre os maiores defensores do projeto, justamente para defender os interesses do governo, em detrimento da categoria. Como o Conselho Estadual de Educação tem várias pessoas sensatas, a militarização das escolas nunca foi aprovada e nem poderia ser, porque era um modelo completamente estranho de educação. Somente pessoas sem conhecimento defendiam aquela porcaria…

A coisa não para por aí! Confúcio e seus intelectuais da Seduc inventaram também o tal de Ensino Médio Inovador e a tal Escola em Tempo Integral, duas coisas completamente fora da realidade de muitos municípios. Mas a coisa foi imposta. E, novamente, foi um desastre! Muitos alunos foram obrigados a deixar o trabalho para ficar nas escolas o dia inteiro, sem que nada fosse diferente. Os próprios alunos dizem que é tudo papo furado. Algumas dessas escolas, chamadas de integrais pelo governo, são lugares que se tornaram notáveis pelo alto consumo de drogas entre os alunos, embora os diretores façam de tudo para esconder, porque eles querem manter a gratificação. Foi justamente para ter o controle político dos diretores, ou para tentar ter o controle, que o governo acabou com a eleição de diretores criada pelo próprio governo como sendo a coisa mais linda do mundo. Após o fim da eleição de diretores, voltou a ser tudo como era antes: os diretores são pressionados todos os dias, para atuarem contra os professores e técnicos, em defesa de tudo de ruim planejado apenas por dois ou três idiotas que estão há décadas fora de sala de aula, mas que acham que sabem o que uma escola. Logicamente que isto não ocorre em todas as CRE’s, apenas naquelas que estão a serviço do partido do governo para as eleições de 2018. Esses métodos de sucatear a educação do governo de Confúcio são tão antigos que eles ainda pensam que os diretores são coronéis. Claro que tem um meia dúzia que faz o jogo do governo, mas muita coisa mudou…

Agora, para o início do ano letivo, mais uma vez, o governo apresenta uma medida ditatorial e desleal contra os professores, enquanto a cúpula do Sintero continua caladinha. Trata-se de uma tal “Operação Gênesis”, copiada de Goiás e muito distante da realidade de Rondônia. Essa operação foi copiada exatamente pelos intelectuais que estão, há anos, sem dar aula e muito longe das escolas e a única finalidade perseguir professores. Os pedagogos que estão, há décadas, dando aulas em escolas, e que fizeram especializações em áreas específicas do conhecimento, estão sofrendo horrores com a tal operação e tudo isso com a omissão do Sintero, que continua caladinho. Não dá para entender por que razão esse governo prega tanto a democracia e age de maneira tão cruel contra os profissionais da educação…

Além disso tudo, Confúcio inventou uma tal de Mesa de Negociação Permanente (MENP), que seria uma equipe de técnicos que estariam em contato permanente com os trabalhadores, objetivando o diálogo e as discussões para melhorar as relações entre o governo e a categoria. Essa tal MENP é mais uma criação do governo da cooperação que não serve para absolutamente nada. Nada mesmo! A única função dessas pessoas é dificultar o contato dos profissionais da educação com o governador. Nunca houve nenhuma posição dessa MENP que não fosse contra os servidores ou para impedir contato com Confúcio. O curioso é que a Executiva do Sintero está, há quase dez anos, acreditando que a MENP ainda vai funcionar. Ou acredita ou faz o jogo do governo, porque nunca aconteceu nenhuma atuação dos membros dessa MENP que mereçam o respeito de ninguém. É justamente um grupo encarregado de boicotar as reivindicações da classe. Para se ter uma ideia, essa tal MENP existe há muitos anos, mas nunca tem os dados estatísticos reais da educação. Tudo fica apenas na conversa. Em uma reunião com essa MENP, os dirigentes do Sintero tiveram que engolir certa vez uma vírgula no lugar errado em um documento fajuto, com a clara intenção de boicote…

Agora, com a eleição da Executiva do Sintero, muitos profissionais da educação chegaram a acreditar que alguma coisa iriai mudar. Nada mudou! Os dirigentes continuam se reunindo e sendo enganados pela MENP. Chegou a hora de os trabalhadores da educação tomarem uma medida firme e exigir respeito. A primeira coisa que precisa é cobrar do governo a extinção dessa MENP e que possamos discutir a educação com pessoas comprometidas com o futuro do estado. Caso contrário, a turma de Nereu Klosinski vai continuar esse namoro infinito com o governo… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista

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