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Francisco Xavier

Cacoal: A administração, os torcedores e o pacote de obras

A população de Cacoal tem vivido momentos políticos de muita instabilidade, protagonizados pela administração municipal, especialmente pela falta de experiência da prefeita, de todos os vereadores e dos titulares de algumas das secretarias municipais. Essa falta de preparo não representa má fé de nenhuma das pessoas, embora revele muita fragilidade na hora de tomar decisões que muitas vezes estão muito diretamente ligadas ao bolso do contribuinte. Em função dessa situação, é inevitável que a administração tenha se dedicado muito mais a apagar incêndios. Sempre que a prefeita anuncia alguma ação, fica clara a intenção de que a ideia é acalmar a população, com foi o anúncio do “pacote de 60 milhões”, na semana passada…

Os constantes ataques de vereadores aliados da administração contra a gestão do ex-prefeito Franco Vialeto ou de antecessores dele evidenciam uma estratégia de tentar esconder os erros cometidos pela atual administração, como se os erros antigos justificassem os atuais. Poucos dias atrás, uma reunião com todos os ocupantes de cargos comissionados foi realizada em uma igreja, para dizer que os assessores precisam defender a administração em todos os momentos. Claro que a decisão de fazer a reunião em uma igreja não foi por acaso nem por falta de espaço. Não há nada de errado em pedir isso dos assessores, mas, politicamente, fica bem claro que a administração está incomodada pela visível ineficiência e pelas consequentes críticas resultantes da irritação do contribuinte. Muitas críticas têm partido de aliados, entre eles, alguns vereadores, embora outros setores revelem insatisfação. Os produtores rurais reclamam, os empresários reclamam, os servidores municipais reclamam, os assessores reclamam… Então, alguma coisa precisa melhorar!

Outro fato que contribui sensivelmente para desgastar a administração é a briga particular da prefeita com alguns vereadores, ficando claro que determinadas pessoas são orientadas por alguém para boicotar os opositores e tentar macular a imagem deles perante a sociedade. Essa velha prática de boicotar opositores não resolve absolutamente nada em favor da administração. A única coisa que essa estratégia produz é um estrago muito grande na popularidade da prefeita, porque os vereadores atacados revidam e os que defendem a administração não possuem argumentos convincentes para rebater as críticas feitas pelos vereadores independentes. Os aliados até votam como determina a administração, porém isso não muda muita coisa. Votar e blindar são coisas bem distintas…

Entre os problemas que causaram mais dissabores para a administração estão algumas promessas não cumpridas e as confusões ou incompatibilidades tributárias provocadas pela situação da taxa de coleta de lixo e os valores do IPTU. As lambanças são tão grandes que atropelam o próprio processo legislativo ou invertem os papéis. Um exemplo disso foi o ato praticado pelo legislativo aprovando a lei da taxa de lixo e o ato do executivo suspendendo, por decreto, os efeitos da lei. Isso sem falar das atribuições e funções da autarquia de água. Confusão muito parecida aconteceu com a situação do IPTU. Vê-se, claramente, que não houve a intenção deliberada de criar transtornos para o contribuinte; o que houve foi uma série de barbeiragens técnicas, pela falta de preparo do legislativo e do executivo. O respeito à hierarquia das leis e aos princípios da Administração Pública parecem abolidos pela administração. E, neste caso, nem decreto teve…

Na semana passada, a administração convidou pessoas com cargos comissionados, vereadores,  assessores de vereadores, alguns  empresários e até opositores conhecidos para participarem de uma reunião cuja finalidade era apresentar “ações positivas” da administração e anunciar um “pacote de obras” para os próximos meses. Logicamente que estaremos na torcida para que os 60 milhões do pacote saiam da dimensão da promessa e entrem na realidade. O caso da construção do hospital municipal, por exemplo, é uma promessa conhecida, porque, desde os tempos em que os filósofos da honestidade estavam no poder, essa história já era conhecida. Até o “dono” da emenda era o mesmo. Como este ano teremos eleições e a copa do mundo, talvez Neymar e companhia sejam nosso bálsamo, ou nosso ópio, como dissera Karl Marx, no século XIX…

Com o anúncio do pacote milionário, muitas pessoas ficaram felizes e realmente precisamos torcer para que todas as promessas sejam efetivadas, porque após investimentos de 60 milhões, Cacoal voltará a ser uma das principais cidades da Amazônia. Neste caso, até mesmo os eventuais adversários políticos da prefeita Glaucione Maria com certeza estarão na torcida pela execução das obras prometidas, especialmente porque mais de um terço seriam no setor de saúde do município, que apresenta inomináveis dificuldades. Claro que desse pacote de 60 milhões, praticamente a totalidade depende do voto do eleitor, porque foram promessas de políticos que estão no cargo hoje e que, por alguma razão, não conseguiram arrumar essa grana no período que antecedeu a campanha eleitoral. Agora, a coisa ficou assim: quem quiser ver o pacotão de obras virar realidade precisa ir à urnas e votar nos políticos que prometeram. Aos eleitores que desejam mudança, cabe torcer contra as mudanças e a favor do pacote de obras…Tenho dito!!!

 

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista

 

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