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Aviões da fofoca, bancada da dúvida e imbrólio eleitoral

coluna pr3 - Aviões da fofoca, bancada da dúvida e imbrólio eleitoralMINISTROS SUSPEITOS

O presidente Michel Temer parecia ter certeza de que diversos ministros de seu governo estariam na lista de políticos beneficiados pela empreiteira Odebrecht. Poucos dias antes de o STF homologar os depoimentos, ele declarou, em entrevista, que, caso algum ministro seu virasse réu, ele demitiria, mas se fosse investigado permaneceria no cargo. Após a publicação da lista, 09 ministros estavam nas delações. E não são ministros comuns! São os principais ministros do governo. Como alguns deles são filiados aos principais partidos de apoio do governo, dificilmente seriam demitidos, mesmo porque virou regra no governo Temer ele não demitir assessores envolvidos em escândalos. Até hoje, nunca demitiu nenhum. Os ministros ficam no cargo até quando não aguentam mais a pressão da imprensa e pedem para sair. Desde que assumiu o governo, praticamente a metade dos ministros de Temer já foram envolvidos em escândalos de corrupção.

GEOGRAFIA DA CORRUPÇÃO

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As delações de executivos da maior empreiteira do país deixaram claro que a corrupção de políticos não está restrita a Brasília ou aos grandes centros. Dezenas de políticos de todos os estados da federação foram delatados. Desde ministros de estado, até políticos de menor expressão. O próprio Michel Temer está em diversos relatos dos denunciantes, mas, como ocupa o cargo de presidente da república, não pode ser processado por fatos ocorridos fora do exercício do mandato. Isso não quer dizer que ele esteja isento de problemas, porque o desgaste político de Temer pode criar uma situação muito embaraçosa para quem disputar eleição pelo PMDB no próximo ano. Além de haver pessoas do Brasil inteiro citadas pelos delatores, o partido do presidente está em todas as delações e isso também compromete a imagem da sigla. Vamos esperar para ver os impactos.

CERVEJA QUENTE

Marcelo Odebrecht não tem poupado ninguém em suas declarações. Em um dos últimos episódios, ele declarou que usava a cervejaria Itaipava como meio para repassar recursos indevidos a políticos do Brasil. Segundo o delator, ele agia dessa maneira para evitar que surgissem suspeitas sobre a empresa administrada por ele, a Odebrecht. Pelas informações veiculadas na imprensa, teria sido instalado um equipamento no sistema de produção de cerveja para que a fiscalização não detectasse problemas na produção. Tudo que os delatores dizem ainda precisa ser investigado com muito rigor, mas a constatação dos fatos nos levará a uma situação de admitir que, há décadas, a corrupção é a única coisa que interessa para a classe política do país. A suposta utilização de uma linha de produção de cerveja para fraudar atividades de empresários e políticos corruptos revela a criminalização das instituições. O Brasil vai precisar de muitos anos para limpar o cenário político e o pior de tudo isso é que centenas de pessoas envolvidas com essa prática criminosa serão inocentadas pelos tribunais do país. É esperar para ver!!

CANDIDATO INFIEL

Segundo declarações de Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira favorita dos políticos, a empresa investiu na campanha do pastor Everaldo Pereira para presidente da república, porque o religioso informou que poderia ter 26 milhões de votos, pois esse é o numero de eleitores evangélicos do Brasil. Possivelmente ele apostava que, com essa votação, iria ao segundo turno, mas não deu certo. Se realmente forem verdadeiras as declarações do herdeiro da Odebrecht, faltou o pastor combinar o acordo com os fiéis. O pastor Everaldo teve pouco mais de 700 mil votos, ou seja, faltaram mais de 25 milhões para atingir seu objetivo. Sua quinta colocação na eleição foi suficiente para ficar atrás da candidata do PSOL, Luciana Genro, que teve mais do que o dobro de votos do pastor. O pastor Everaldo não é o único que faz contas eleitorais contando com os fiéis. Em Rondônia é muito comum, em período eleitoral, ver líderes religiosos “oferecendo” apoio a candidatos e dizendo que controlam os fiéis das igrejas. A folha de pagamento de alguns órgãos de Rondônia está cheia de religiosos.

SINDICALISTAS E PATRÕES

Nos últimos dias, os sindicalistas de Rondônia, viveram momentos de muita turbulência. O problema é que o delator Henrique Valladares declarou que, desde lideres indígenas, como Antenor Karitiana, policiais e até dirigentes da CUT recebiam dinheiro da Odebrecht para atuarem a favor dos interesses da empresa nas obras de Jirau e Santo Antônio. A central sindical não desmentiu os fatos, como fazem todos os políticos acusados pelos delatores. A CUT se limitou a dizer que, no período de construção das obras, os trabalhadores do ramo da construção fizeram os melhores acordos trabalhistas, coordenados pela CUT. No caso dos políticos, eles respondem que todos os recursos utilizados em suas campanhas foram declarados e aprovados pela Justiça Eleitoral. É importante ressaltar que o delator não citou o nome de nenhum dirigente da CUT, mas a CUT precisa apurar internamente os fatos. Caso a CUT queira explicar algo aqui na coluna, basta enviar o texto que publicaremos, com prazer!

JI-PARANÁ

Desde que tomou posse, para exercer o primeiro mandato de governador, em janeiro de 2011, Confúcio Moura fala sobre o Anel Viário de Ji-Paraná como sendo uma das grandes ações de seu governo. Quem mora no município, ou quem passa, pelo local da obra sabe muito bem que aquilo não passa de conversa de político. Apenas pequenos trechos foram asfaltados até hoje, dois ou três pedaços do trajeto, pedaços de um ou dois quilômetros. Ou seja, de um total de aproximadamente 13 ou 14 quilômetros, quatro ou cinco foram asfaltados, mas o problema é que atualmente o governo está fazendo o recapeamento de alguns trechos já asfaltados e fazendo uma operação tapa-buracos nos lugares onde alguma coisa foi feita. Isto que dizer que no próximo ano, outra vez, o Anel Viário de Ji-Paraná será tema de campanha. Isso sem falar de duas pontes que existem no trajeto e que certamente não aguentam o fluxo de carretas, pois são pontes ainda do tempo do território. Caso a velocidade com que a coisa é feita seja mantida, não haverá, neste governo de Confúcio Moura, tempo para concluir. Resta saber até quando o eleitor de Rondônia vai eleger diversas vezes os mesmos políticos, falando sobre a mesma obra. Claro que isso não acontece somente em Ji-Paraná! A obra do projeto Beira-Rio no município de Cacoal segue a mesma metodologia.

AVIÕES DA FOFOCA

O aeroporto de Cacoal serve para atender diversas necessidades da Capital do Café e de municípios vizinhos, empresários autoridades e pessoas comuns usam a estrutura do local para resolver seus problemas de deslocamento ou de ações do dia a dia. Para economizar tempo, diversos políticos de Rondônia costumam receber assessores e outras pessoas nas salas do aeroporto, enquanto esperam pelos vôos. Nos últimos, meses, virou moda no aeroporto de Cacoal, caravanas de pessoas do mundo político que frequentam o aeroporto apenas para levar mentiras e fofocas para os deputados e senadores que recebem pessoas ali. Em muitos casos, fica visível a vontade de alguns de apenas macular a imagem de eventuais desafetos, sem apresentar nada de útil. Um espaço que poderia ser usado para ganhar tempo tem sido muito mal utilizado por asseclas e bajuladores para pregar o ódio e discórdia, enquanto Cacoal e outros municípios do estado sofrem com a falta de ações mais práticas e eficientes. Que coisa lamentável!!!

INSIGNIFICÂNCIA OU HONESTIDADE?

Após a publicação da chamada lista do Janot, ou lista do Fachin, muitos assessores, políticos e aliados dos deputados federais de Rondônia comemoraram o fato de não encontrar os nomes dos congressistas do estado na lista da corrupção. Isso não resolve, porém, o problema de nossos políticos. A comentarista sobre assuntos políticos Miriam Leitão afirmou que a ausência de muitos políticos brasileiros na lista da Odebrecht é pelo fato de não possuírem nenhuma influência no Congresso Nacional. O comentário da jornalista não pode ser descartado, porque os próprios delatores falavam dos investimentos em políticos pelo potencial de influenciar outros ou pela possibilidade de vir a ter influência. Como os deputados de Rondônia não estão na lista, podemos pensar da seguinte maneira: ou são realmente honestos, ou são muito espertos por não se deixarem gravar, ou não tem influência nenhuma, ou não representam políticos com possibilidade de crescer

BANCADA DA DÚVIDA

Todas as vezes que acontece na Câmara dos Deputados uma votação polêmica, os representantes de Rondônia, em sua maioria, se colocam contra os interesses dos trabalhadores. Na votação ocorrida esta semana, onde o assunto era acelerar os trâmites da reforma trabalhista, que vai tirar muitos direitos dos trabalhadores brasileiros, apenas o deputado Expedito Neto votou a favor das reivindicações dos trabalhadores. É curioso que Rondônia tenha entre seus representantes deputados de siglas que dizem defender trabalhadores, mas na hora do voto defendem o governo e as grandes empresas, como a Odebrecht. É lamentável que nosso estado tenha que sofrer por causa dos votos daqueles que foram eleitos para tentar amenizar o sofrimento da população. Na hora de pedir votos, eles nunca ficam em cima do muro. Todos dizem que vão defender o povo.

POSSE  EM  GUAJARÁ

Na noite de ontem, a Justiça Eleitoral fez a cerimônia de posse dos eleitos na eleição suplementar ocorrida em 02 de abril. Disputaram a prefeitura os candidatos Sérgio Bouez (PSB) e Cícero Noronha (DEM). Noronha venceu a eleição com quase 3.000 votos de diferença, embora os políticos mais experientes do município apostassem na eleição de Serginho Bouez. A eleição de Cícero Noronha é considerada por muitas pessoas como uma nova oportunidade para que a cidade da fronteira consiga retomar o caminho do crescimento, visto que os problemas são inúmeros na cidade. O vice Davino Serrath foi o vereador mais votado em outubro passado e agora renunciou ao mandato para tomar posse como vice na chapa com Noronha. Embora muita gente acredite que a situação está resolvida, a coisa não é bem assim.

IMBRÓLIO ELEITORAL

O vereador Davino Serrath, que foi o mais votado em Guajará-Mirim, na eleição de outubro, renunciou ao mandato na câmara para tomar posse ontem como vice-prefeito na chapa de Cícero Noronha, que venceu a eleição suplementar. Mas uma reviravolta jurídica pode acontecer ainda em Brasília. Muita gente não sabe, mas há um recurso em fase de julgamento no STF que pode devolver ao empresário Antônio Bento o direito de manter o registro de candidatura. No julgamento do recurso, quatro ministros já votaram. Todos eles favoráveis a Antônio Bento. Como o ministro Luiz Fux pediu vistas, o recurso foi retirado da pauta. Caso tenha mais dois votos favoráveis ao recurso, o STF terá que devolver ao candidato Antônio Bento o direito negado. Neste caso, o vereador Davino ficaria sem o mandato de vereador e sem o cargo de vice. Situação idêntica à do vereador Sérgio Bouez, que disputou a eleição suplementar. Bouez é vereador e presidente da Câmara, cargos que ele também perderia em caso de vitória na eleição suplementar. Resta ao Sérgio Bouez comemorar a derrota, pois assim garante o mandato na câmara.

PARLAMENTANDO

A Tristeza do Pinóquio

A BRANCA DE NEVE, a FERA e o PINÓQUIO encontraram-se na floresta.
– Sou a mais LINDA do mundo!!! Diz a BRANCA DE NEVE.
– Sou o mais FEIO do mundo!!! Diz a FERA!!!
– Sou o maior MENTIROSO do mundo!!! Diz o PINÓQUIO.
Eles entram por uma grande caverna, para falar com o SÁBIO, atual dono do ESPELHO MÁGICO.
A BRANCA DE NEVE entra e sai toda feliz:
– Sou mesmo a mais LINDA do mundo!!!
A FERA entra e sai sorridente, toda satisfeita:
– Sou o mais FEIO do mundo, viva!!!
O PINÓQUIO entra, mas sai enfurecido… e pergunta:
– PQP!!! Quem é o deputado eleito por nossa cidade???

Fonte: Jornal Correio de Rondônia

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