Quem navegou pela internet nos últimos anos certamente se deparou com a repercussão viral de uma das cenas mais icônicas de Stranger Things: a perseguição de Max ao som de Running Up That Hill, de Kate Bush. No centro desse pesadelo está Vecna, uma figura que não serve apenas como o antagonista da temporada, mas como a peça chave para entender toda a mitologia de Hawkins. Agora, com o encerramento da saga, discussões sobre a natureza desse vilão colidem diretamente com as reações do elenco sobre as teorias dos fãs a respeito do desfecho da série.
De Henry Creel ao General do Apocalipse
Para não se perder no Mundo Invertido, é fundamental compreender que Vecna difere drasticamente das bestas irracionais vistas anteriormente, como o Demogorgon. Ele é inteligente, calculista e atua como o “general” do apocalipse. Sua origem remonta a Henry Creel, o “Paciente 001”. Filho de Victor Creel, Henry demonstrou tendências sádicas e antissociais ainda nos anos 1950, assassinando a própria mãe e irmã e deixando o pai assumir a culpa.
A grande reviravolta da trama revela que ele sempre esteve presente nos bastidores. Banido para o Mundo Invertido pela própria Eleven em 1979, sua pele foi queimada e transformada pela atmosfera tóxica daquela dimensão, convertendo-o na criatura esquelética repleta de tentáculos que conhecemos. Ele opera a partir de uma versão distorcida da Casa Creel, sentado em um trono de vinhas orgânicas, comandando sua colmeia e aguardando a fusão definitiva das realidades.
Poderes e o Arquiteto do Mal
Os poderes de Vecna incluem telepatia, telecinese e a habilidade aterrorizante de abrir portais entre dimensões a cada nova vítima consumida. Seu método de ataque é puramente psicológico: ele explora traumas passados, culpas e segredos sombrios, criando uma “maldição” que culmina em mortes brutais.
Sua conexão com a narrativa é a espinha dorsal da série, pois ele se apresenta como o “irmão sombrio” de Eleven. Revelações indicam que ele pode ter sido o arquiteto por trás de todas as ameaças anteriores, moldando o Mundo Invertido à sua vontade e sugerindo que até o Devorador de Mentes pode ter sido uma ferramenta sob seu controle. Contudo, apesar de quase onipotente, ele possui fraquezas. A música, capaz de acessar memórias positivas profundas, e o fogo mostraram-se eficazes contra ele.
A Teoria da “Conformity Gate” e a Reação do Elenco
A capacidade de Vecna de criar ilusões complexas acabou alimentando teorias conspiratórias entre os fãs sobre o final da série. Uma das hipóteses mais populares, apelidada de “Conformity Gate”, sugeria que o final estendido de duas horas — que proporcionou um desfecho feliz para quase todos os personagens — seria, na verdade, uma elaborada alucinação criada pelo vilão, e que um episódio secreto extra seria lançado para revelar a verdade trágica.
Caleb McLaughlin, que interpretou Lucas Sinclair durante as cinco temporadas, foi categórico ao refutar essas especulações. Em declaração recente, o ator classificou a teoria como “boba” e jogou um balde de água fria nas expectativas de conteúdo adicional. Ele entende o desejo do público de permanecer naquele universo otimista e querer mais de Stranger Things, mas reforçou que a narrativa está concluída. Segundo ele, após dez anos, o elenco cresceu e não há necessidade de estender a história artificialmente.
A Visão dos Criadores e o Ciclo do RPG
McLaughlin explicou que a prioridade dos showrunners, Ross e Matt Duffer, sempre foi deixar o público com um nível de otimismo, algo que consideram a essência da produção. Um final puramente sombrio ou ilusório trairia o que a série representou ao longo dos anos. O ator destacou como a última cena do final, que mostra os personagens principais encerrando uma campanha de Dungeons & Dragons liderada por Mike Wheeler, traz um fechamento cíclico perfeito. A série começou com um jogo de RPG na primeira temporada e terminou da mesma forma, honrando as raízes da amizade do grupo.
Além disso, o intérprete de Lucas esclareceu interpretações equivocadas sobre a proposta de Mike de que Eleven teria forjado a própria morte. Fãs que esperavam que isso fosse um gancho para futuras tramas perderam o conceito do que estava sendo apresentado: tratava-se apenas da imaginação de Mike e sua habilidade de contar histórias, características presentes desde o início. Portanto, o final feliz não é um truque de Vecna, mas sim a conclusão definitiva planejada pelos criadores.



