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Guedes diz que Brasil pode deixar Mercosul se kirchnerismo voltar ao poder

Guedes diz que Brasil pode deixar Mercosul se kirchnerismo voltar ao poder

Foto: Reprodução

Ministro da Economia afirma que país precisa retomar dinâmica de crescimento e, por isso, optaria por saída do Mercosul, caso oposição vença eleição na Argentina e apresente resistência à abertura econômica do bloco.O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse na noite de quinta-feira (15/08) que o Brasil pode deixar o Mercosul se a oposição vencer as eleições presidenciais na Argentina em outubro e apresentar resistência à abertura econômica do bloco.

A afirmação foi feita depois de o peronista Alberto Fernández vencer com vantagem folgada as primárias realizadas no último fim de semana no país vizinho.

A votação, que serve como prévia das presidenciais de 27 de outubro, confirmou o claro favoritismo da chapa que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner. Enquanto a oposição obteve 47% dos votos, o atual presidente, Mauricio Macri, ficou com 32%.

“Se vence o Macri, [Jair] Bolsonaro se dá bem com ele, e os dois se dão bem com Trump. Então tudo caminha em alta velocidade”, afirmou Guedes na cerimônia de encerramento do Seminário sobre Gás Natural, organizado no Rio de Janeiro pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

“Se der errado, der o outro lado? A pergunta é simples. Nós vamos continuar abrindo. Vocês também? Se não vão, então tchau. A gente sai fora do Mercosul, e vamos embora. Acho que vamos ser muito práticos. E não tememos o efeito disso. O Brasil precisa retomar sua dinâmica de crescimento”, completou.

O ministro já havia feito comentários parecidos à tarde, durante um evento do Banco Santander em São Paulo. “Se Kirchner quiser entrar e fechar a economia deles? Se quiser fechar, a gente sai do Mercosul. Se ela quiser ficar aberta? Beleza, continuamos. O Brasil é uma economia continental. Temos que recuperar a nossa economia”, afirmou ele diante de uma plateia de empresários e investidores.

O Mercosul fechou um acordo de livre-comércio com a União Europeia em junho e, segundo Guedes, os Estados Unidos também manifestaram interesse em um acordo comercial com o bloco. Ele disse ainda que a disposição do Brasil em abrir seu mercado torna-o um país disputado. “Todo mundo está fechando para balanço, e nós somos a única moça da festa disponível para dançar. Então, todo mundo quer dançar com a gente.”

Em conversa com jornalistas na quinta-feira no Rio, Guedes argumentou que o Brasil não precisa se preocupar com a crise externa se o dever de casa for bem feito, porque dispõe de uma economia com dinâmica própria de crescimento. Segundo ele, houve momentos em que o mundo estava crescendo aceleradamente, e o país não se beneficiou.

“Se há um momento favorável lá de fora, valoriza o câmbio, mas em compensação você vende menos móveis, têxteis. O Brasil foi até desindustrializado mais rapidamente durante o período em que o câmbio se valorizou. Agora pode ser o contrário. O mundo pode desacelerar e nós podemos acelerar. De repente, com energia barata e um câmbio um pouco mais alto, você vai reindustrializar autopeças, móveis, sapatos, indústria têxtil.”

“Não devemos temer o efeito contágio. O Brasil tem uma dinâmica própria como poucos países: os Estados Unidos, a China, a Índia”, avaliou o ministro. “Se o dólar quiser ir para quatro reais ou mais de quatro reais por causa da eleição na Argentina ou pelo vento lá fora, deixa ir. Estamos preparados.”

O mercado na Argentina reagiu mal à derrota de Macri nas primárias. O peso argentino despencou, o risco-país atingiu nível recorde e o índice Merval, o principal da Bolsa de Comércio de Buenos Aires, registrou uma queda de 37,93% na segunda-feira, um dos piores desempenhos de sua história. Na tentativa de melhorar sua imagem e superar a turbulência econômica, Macri lançou um pacote econômico nesta semana que inclui aumento do salário mínimo e congelamento do preço dos combustíveis.

Também na quinta-feira, Guedes sugeriu mais uma vez a possibilidade de a Petrobras vir a ser privatizada. Ao lado do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, o ministro afirmou que está avançada a venda dos controles da Eletrobras e dos Correios. Em seguida, disse em tom de brincadeira: “Não duvido que vamos privatizar coisas maiores, viu Castello?”

 

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