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Por falta de transporte fluvial, alunos ribeirinhos continuam sem ir à escola em Porto Velho

Aulas presenciais retornaram há quase dois meses e estudantes seguem sem acesso às escolas.

Foto: Jaíne Quele Cruz - Reprodução/G1

Foto: Jaíne Quele Cruz - Reprodução/G1

Quase dois meses após o retorno das aulas presenciais em Porto Velho os alunos das zonas ribeirinhas, que dependem do transporte escolar fluvial, ainda estão sem frequentar a escola. De acordo com moradores da região, já passam de quatro anos que os alunos não vão à escola regularmente.

Antes eram problemas no transporte escolar que impediam as crianças de chegar até a educação presencial e desde 2020 o motivo foi a pandemia da Covid-19. No entanto, as aulas presenciais foram retomadas em agosto deste ano, com o avanço da vacinação entre os profissionais de educação.

Severino Nobre, morador do Médio Madeira, contou que decidiu levar o filho de 11 anos para morar com familiares do outro lado do rio para evitar que ele continue faltando aula por falta de transporte.

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E ele não foi o único a mudar de rotina. Muitas famílias que tiveram condições acabaram se mudando para a zona urbana durante esse período para manter os filhos estudando. De acordo com Severino, alguns alunos estariam apresentando transtornos psicológicos, como ansiedade, por conta do longo período sem ir até a escola.

A psicopedagoga e mestre em educação, Franciane Pinho, ressalta que a distância das escolas e a pandemia impactaram diretamente a dinâmica das famílias.

“Esse impacto evidenciou as diferenças que já existiam entre os estudantes que apresentavam dificuldades e/ou transtornos de aprendizagem, uma vez que, esse grupo necessita de suporte psicopedagógico para trabalhar as especificidades de cada sujeito”, comenta.

De quem é a responsabilidade?

Durante anos os pais dos alunos das zonas rurais e ribeirinhas que utilizam o transporte escolar terrestre e fluvial relataram dificuldades. Em 2018, a Polícia Federal deflagrou a Operação Ciranda. o objetivo era desarticular um esquema de fraude nas licitações do transporte escolar.

O assunto foi parar na Justiça e após várias audiências ficou decidido, por fim, que a Prefeitura ficaria responsável pelo transporte terrestre e o Estado pelo fluvial. No entanto, pouco tempo depois as aulas foram suspensas por conta da pandemia.

Após mais de um ano de isolamento, a maioria dos alunos começaram a voltar presencialmente para as salas de aula em agosto deste ano, mas os que dependem do transporte fluvial ainda não retornaram.

De acordo com o secretário estadual de educação, Suamy Vivecananda, a empresa que vai prestar o serviço já foi contratada, mas pediu um prazo de 60 dias para começar a operar.

O que diz a Prefeitura?

Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semed), atualmente mais de 500 alunos dependem do transporte escolar fluvial, divididos entre 13 escolas municipais localizadas das zonas ribeirinhas.

Porém, afirma que os alunos ficaram fora da sala de aula em 2019, mas em 2020 foram atendidos de forma remota. A Semed informou ainda que adota “medidas necessárias para amparar alunos e professores, seja de forma psicológica ou pedagógica”.

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